Cara começou a cantar uma música enquanto recordava. Era de um desenho animado de TV chamado Dora, a aventureira , que consistia basicamente em cantar a palavra “mochila” sem parar, até a cabeça de um pai nas proximidades explodir em um milhão de pedaços. Eu havia cometido o erro, uns dois meses atrás, de comprar para ela uma mochila falante de Dora, a aventureira (“mochila”, “mochila”, repitam) com um mapa falante também (“eu sou o mapa, eu sou o mapa, eu sou o mapa”, repitam). Quando a prima Madison vinha visitar, elas brincavam muitas vezes de Dora, a aventureira. Uma fazia o papel de Dora. A outra era o macaco que tinha o interessante nome de Botas. Não se veem muitos macacos com nome de sapato. Eu estava pensando nisso, sobre Botas, e em como Cara e a prima brigavam para decidir quem ia ser Dora e quem ia ser Botas, quando de repente foi como se um raio tivesse me atingi Gelei. Fiquei paralisado, sentado ali. Até cara percebeu.